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2020 Balanço Concertos

 

Com o país confinado desde Março a actividade cultural do país parou e poucos foram os músicos que puderam tocar e as salas de concertos que ousaram programar concertos. Muitos festivais também não se realizaram e muitos músicos e programadores optaram por cancelar a actividade ou realizar concertos online, gratuitos, de acesso livre.

A principal sala de concertos de Jazz do país, o histórico Hot Club, foi obrigada a fechar portas durante largos meses, tendo acabado por realizar a partir do verão alguns concertos no espaço exterior, com menos público, ou online, situação que se mantinha até ao início do novo confinamento.

Idêntica situação para a Porta-Jazz que adquiriu uma tenda para realizar concertos no exterior.  

Ainda assim alguns festivais porfiaram em realizar-se, procurando cumprir os contratos com os músicos, o que apenas em poucos casos foi possível para os músicos estrangeiros.  

A solução foi reduzir o número de espectadores, criar espaço de segurança e regras apertadas, caso do Guimarães Jazz ou o Seixal Jazz; encontrando espaços alternativos, como o Jazz no Valado, ou ainda outros, como o Jazz em Agosto, porque acontece no verão, ao ar livre, pôde realizar-se. Alguns outros ainda foram cancelados, ou aconteceram sem público.

As limitações foram também na programação, em especial os festivais internacionais, com os músicos impedidos de se deslocar, como o Angra Jazz ou o Funchal Jazz, tendo alguns outros optado por alterar a programação, como Guimarães Jazz ou o Jazz em Agosto, que optaram por apresentar quase apenas músicos nacionais.   

Mas todos foram penalizados. Na programação, no público, nos músicos, na organização, a normalidade não foi possível.

Mas algumas entidades, salas e festivais fizeram um esforço meritório para se manter abertos e realizar concertos, assegurando algum trabalho para os músicos e oferecendo ao público a cultura e o Jazz que importa não deixar morrer.

De entre os que se realizaram, a opção foi quase sempre de levar músicos portugueses, como aconteceu nos dois festivais a que assisti, o Guimarães Jazz e o Festival de Jazz do Valado dos Frades.

De festivais falando,

o Festival Robalo (que já possui uma programação basicamente nacional) realizou-se em Julho na mesma sala do Liceu Camões, transmitido em directo através da Antena 2, mas sem público. Curiosamente o festival estabeleceu ligações com a Porta-Jazz e o Salão Brazil, para um intercâmbio de músicos e bandas e estendendo os concertos ao Porto e a Coimbra.
Sara Serpa, André Matos, Miguel Rodrigues, André Carvalho, José Soares, André Matos, Desidério Lázaro, Luís Candeias, João Pedro Brandão, Demian Cabaud, Ricardo Formoso, José Pedro Coelho, João Grilo, Marcos Cavaleiro, Samuel Blaser, Leonor Arnaut, João Carreiro, Marc Ducret, Gonçalo Marques, Masa Kamaguchi e João Lopes Pereira, estiveram entre os músicos que tocaram, integrando diversas formações.

Cancelada a programação original, o Jazz em Agosto decidiu reconverter o festival para o mesmo espaço ao ar livre, com uma programação quase integralmente nacional, sob o nome de Jazz 2020.
Alguma coisa se ganhou com a pandemia, porque o público do Jazz em Agosto terá podido assistir finalmente a alguns dos mais interessantes músicos e projectos nacionais, como o Coreto Porta-Jazz que abriu o festival, os TGB, Daniel Bernardes & Drumming GP «Liturgy of the Birds», João Mortágua «Dentro da Janela», Susana Santos Silva «Impermanence» e André Rosinha Trio, entre outros concertos.

A Festa do Jazz realizou-se em Setembro no CCB, sem público, com emissão na RTP Play. Com um destaque para o Jazz nacional, por lá passaram Tomás Marques Quarteto, o encontro de Carlos Martins, Carlos Bica, João Lobo e João Paulo Esteves da Silva, uma homenagem a Bernardo Sassetti com João Mortágua, João Pedro Coelho, Carlos Barretto e Alexandre Frazão, João Barradas, um trio com Ricardo Toscano, Demian Cabaud e Marcos Cavaleiro e Maria João/ Carlos Bica com André Santos e João Farinha e ainda a estrela internacional Andy Sheppard, entre outros músicos. O Encontro de Escolas esteve resumido a sete escolas que actuaram nos dois dias da Festa do Jazz.

Sem possibilidades de se realizar na sua sala de referência, o Angra Jazz optou por realizar uma série de documentários com entrevistas e concertos com músicos locais que tocaram em diversos palcos naturais da ilha, entre os quais o Algar do Carvão, dentro da cratera do vulcão. Estas emissões estão também disponíveis na RTP Play.

 

Tendo adiado o festival para o Outono, o Jazz no Valado quase conseguiu manter a mesma programação, numa outra sala no Valado dos Frades. A única alteração, ainda que de peso, foi o Azul de Carlos Bica, devido aos problemas de deslocação, de Jim Black dos Estados Unidos e Frank Mobus de Berlim. Ainda assim o festival logrou substituir o concerto do Azul pelo quarteto de Bica com a Maria João.      
Duas semanas de concertos na Nazaré e no Valado dos Frades com, para além do Maria João/ Carlos Bica Quarteto (com André Santos e João Farinha), a (obrigatória) Orquestra Jazz da Nazaré, os TGB III, o André Fernandes Centuri e o Tomás Marques Quarteto.

Ainda em Outubro também o Seixal Jazz não claudicou, tendo optado igualmente por uma programação doméstica ao vivo: sete concertos de combos quase inteiramente nacionais: o renascido Sexteto de Jazz de Lisboa (Laginha, Brito, Caramelo, Barreiros, Pimentel e Toscano), também o singular TGB, o trio Raon/ Figueiredo/ Hasselberg, o quinteto de Isabel Rato, o Ricardo Pinheiro/ Miguel Amado – LAB, o André Rosinha Trio e o Eduardo Cardinho Quarteto.

O Jazz ao Centro (Coimbra) também se realizou, com doze concertos, embora quase todos os músicos tenham tocado em mais de uma formação. O mais interessante terá sido o concerto de Mário Costa “Oxy Patina”.

Entre Outubro e Novembro realizou-se o Caldas Nice Jazz, que levou ao palco do CCC a Orquestra Jazz de Matosinhos numa Viagem Pelos compositores do Jazz Português, o Daniel Bernardes & Drumming GP, o Maria João - Ogre Electric, o trio  Lokomotiv, também Manuel Linhares e o duo harpa/harmónica Edmar Castaneda & Gregoire Maret.

Sem alterações na programação, a Casa da Cultura Teatro Stephens esteve de novo aberta para quatro concertos ao vivo do Festival de Jazz da Marinha Grande: o Ricardo Toscano Quarteto, Circulo, o Trio Rui Caetano e o projecto de Bernardo Moreira dedicado a Carlos Paredes, Entre Paredes.

Finalmente o Novembro trouxe de novo o mais importante festival de Jazz nacional, o Guimarães Jazz, que se realizou como sempre no Centro Cultural Vila Flor, para além do concerto na Black Box do Centro José de Guimarães. Festival de características internacionais, o Guima

rães Jazz apresentou uma programação praticamente inteiramente nacional, com duas excepções para dois músicos estrangeiros a residir em Portugal: Julian Arguelles e Andy Sheppard e ainda o septeto holandês Radiohead Jazz Symphony. Nove concertos em duas semanas, com destaque para a banda nacional de Andy Sheppard, a «Costa Oeste», o César Cardoso Ensemble, o Sombras da Imperfeição/ Concerto Desenhado de Hugo Raro, o Radiohead Jazz Symphony & Orquestra de Guimarães, o Julian Arguëlles «Aqui e Agora»” (banda portuguesa) e o Pedro Melo Alves' Omniae Large Ensemble.

Outros festivais e ciclos mais pequenos foram sendo realizados ao longo do ano, condicionados pela pandemia, como o Ciclo Guarda in Jazz/ Festival de Blues da Guarda, o Jazzmatazz de Leiria, o Ciclo Porta-Jazz em Famalicão, o gnration (Braga), o Jazz no Parque (Serralves), o Que Jazz é Este? (Viseu), o Jazz na Praça da Erva (Viana do Castelo), o Figueira Jazz Fest, o Porta-Jazz ao Relento nos jardins do Palácio de Cristal (Porto) e o Jazz ao Largo (Barcelos). 

Antes do início da pandemia já se tinham realizado, logo em Janeiro, o Circulo de Jazz Fest Setúbal, com Mário Laginha, The Rite of Trio, André Rosinha, Carlos Barretto e Mário Delgado, Desidério Lázaro e o Azul de Carlos Bica;

e em Fevereiro o 10.º Festival Porta-Jazz: uma maratona de 17 concertos em três dias, com o Coreto Porta-Jazz, HVIT de João Grilo, Jim Hart e Alfred Vogel, Ricardo Coelho, A Incerteza do Trio Certo, Pedro Neves, Impermanence de Susana Santos Silva, João Mortágua, Peter Evans e Orquestra Jazz de Matosinhos, Blechbaragge, Mau, Jeffery Davis, Hugo Carvalhais, Ricardo Formoso com Seamus Blake e Albert Bover e o ESMAE Jazz Ensemble .

Poucos concertos, público reduzido, programação quase apenas nacional, regras de segurança apertadas, concertos online: assim foi o ano de 2020 em tempos de pandemia.
Deixo-vos o relato crítico dos dois festivais onde estive presente: Guimarães Jazz e Jazz no Valado.

Guimarães Jazz 2020

Jazz no Valado 2020