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Immanuel Wilkins
Omega
CD
Blue Note 2010

 

 

Depois de mais de duas décadas de coma letárgico a Blue Note recuperou o lugar cimeiro de editora de Jazz com alguns dos nomes e discos mais importantes da cena Jazz actual. Poucos mas bons, entre consagrados e jovens turcos: Bill Frisell, Charles Lloyd, Nduduzo Makhathini, Ambrose Akinmusire, Gerard Clayton, Joel Ross e este Immanuel Wilkins, entre outros.

Descoberto por Jason Moran, o jovem saxofonista de 23 anos surpreende pela maturidade como saxofonista e como compositor. Wilkins é um saxofonista completo, ágil nos tempos rápidos, denso e emocionante nas baladas. Coltrane, Charlie Parker e Ornette, passando por Wayne Shorter estão lá, mas o som que retira é um híbrido bastante personalizado: a tradição e o futuro num único solo.

O primeiro tema do disco é uma elegia à família, à amizade e à comunidade; mas logo de seguida Wilkins discorre sobre o assassinato do jovem desarmado Michael Brown em 2018 às mãos da polícia e ao tema volta pouco depois em «Mary Turner» para contar a história da mulher negra grávida enforcada em 1918 por ter tentado impedir o marido de ser lapidado. Os dois temas subtitulados «An American Tradution» são devastadores. Mas eles apenas antecipam a suite «Guarded Heart», que revela as capacidades de construção melódica de Wilkins. Talvez que o momento mais bonito e espiritual e conseguido da suite seja «Saudade», lírico e voluptuoso, onde oferece largo espaço para a banda se espraiar. O disco remata com «Omega», num retorno ao início, impulsivo e eloquente.  

Um grande disco a marcar 2020.

 

Immanuel Wilkins (s)
Micah Thomas (p)
Daryl Johns (ctb)
Kweku Sumbry (bat)

(Este texto foi publicado no Jornal de Letras)