Home

 

 


 

2016

 

Único festival de orquestras nacional, A Arte da Big Band contou de novo com cinco Big Bands, em várias praças e jardins públicos da cidade de Lisboa, este ano com início um pouco mais tarde, a partir de 25 de Agosto.

 

Flat Earth Society

A primeira das orquestras foi a Flat Earth Society, uma banda de origem belga com dez anos de idade dirigida por Peter Vermeersch que a wikipedia define como uma «avant-garde pop band».
A Flat Earth veio tocar o último disco, «Terms of Embarassment», gravado ao vivo em 2014, uma talvez homenagem a Frank Zappa: «Homage to Zappa or not, he's dead anyway». Música ecléctica, com referências dispersas, entre o Jazz, a fanfarra, a música contemporânea ou a pop (e Zappa), a Flat Earth prima pela composição, os intrincados arranjos, a premência rítmica o humor e não deixaram os seus créditos (que possuem entre algum do público presente) por mãos alheias.

 

Big Band Estarrejazz

Banda relativamente jovem, embora com alguns veteranos entre os seus membros, oriundos na sua maioria das filarmónicas da região, a Estarrejazz - extensão do festival com o mesmo nome – possui um repertório de clássicos que toca com desenvoltura, mesmo se acusa a sua juventude.

 

Orquestra de Jazz do Algarve

Com doze anos de idade a Orquestra de Jazz do Algarve é já uma das grandes formações nacionais a funcionar ininterruptamente, e a sua já relativamente longa história revela-se na fluência e na generosidade do swing que pratica. A orquestra denota muito também o público a que se dirige, sem quaisquer veleidades modernistas e com um repertório exclusivamente retirado do American Song Book.
Dirigida por Hugo Alves, e contando nesta sua apresentação com a eficiente bateria de Michael Lauren e a voz de Maria Anadon, a OJA fez um concerto muito agradável, muito seguro, à vontade no que sabe fazer e bem, com a voz da já veterana Maria Anadon, perfeitamente integrada, com presença de palco e a provar que sabe cantar standards, com técnica e emoção, e eu diria que é a cantar Jazz que Anadon vai melhor.

 

           
Qui 25 Ago Lisboa Jardim do Arco do Cego 19.00 FES - Flat Earth Society Peter Vermeersch (dir, cl), Benjamin Boutreur (s),, Michel Mast (s), Bruno Vansina (sb, f), Bart Maris (t), Thomas Mayade (t), Peter Delannoye (trb), Marc Meeuwissen (trb), Berlinde Deman (tu), Tom Wouters (vib, cl), Pierre Vervloesem (g), Peter Vandenberghe (p, tec), Kristof Roseeuw (ctb), Teun Verbruggen (bat)
Qui 1 Set Lisboa Largo de São Carlos 19.00 Big Band Estarrejazz Pedro Moreira (dir), João Pereira (t), João Dias (t), João Ramos (t), Hugo Silva (t), Rui Almeida (t), Luís Castro (trb), Ricardo Neves (trb), Ricardo Antão (eu), João Mortágua (s), Domingos Henriquez (s), Margarida Henriquez (s), Tomás Marques (s), Tiago Silva (s), Miguel Valente (s), Pedro Silva (s), Ricardo Rosas (s), Rogério Francisco (vib), Carlos Garrote (ctb), Miguel Sampaio (bat)
Qui 8 Lisboa Jardim da Amnistia Internacional (Campolide) 19.00 Orquestra de Jazz do Hot Club de Portugal
«A Música de António Pinho Vargas»
Luís Cunha (dir), Johannes Krieger (t), Tomás Pimentel (t), Gonçalo Marques (t), Diogo Pedro (t), Ricardo Carvalho (t), Rúben da Luz (trb), Mário Amândio (trb), Diogo Costa (trb), Tiago Carvalho (trb), Daniel Salomé (s), Paulo Gaspar (s), João Mortágua (s), César Cardoso (s), Mateja Dolsak (s), Nuno Costa (g), Óscar Graça (p), António Quintino (ctb), Pedro Felgar (bat)
Qui 15 Lisboa Parque das Conchas 19.00 Orquestra de Jazz do Algarve Hugo Alves (dir, t), João Barbosa (t), Maria João Nunes (t), Pedro Jerónimo (t), Helder Vicente (trb), Ricardo Lopes (trb), Alexandre Cunha (trb), José Silva (trb), David Paz (s), Paulo Rodrigues (s), Ricardo Pires (s), José Santos (s), Jéssica Lourenço (s), Diogo Russo (p), Luís Henrique (ctb), Michael Lauren (bat), Maria Anadon (voz)
Qui 22 Lisboa Ribeira das Naus 19.00 Orquestra Jazz de Leiria
«Ella Fitzgerald Songbook»
César Cardoso (dir), Diogo Pedro (t), André Rocha (t), Cláudio Pinheiro (t), João Ferreira (t), Nuno Carreira (trb), Rui Correia (trb), Jaime Pascoal (trb), José António Lopes (s), Ivan Silvestre (trb), Vítor Lopes (trb), João Cunha (trb), Bruno Homem (trb), Daniel Marques (tu), Paulo Santo (vib), Adelino Oliveira (g), Pedro Nobre (p), Diogo Dias (ctb), João Maneta (bat), Vânia Fernandes (voz)
           

 

 


2015

Tornou-se já um dos momentos altos da programação cultural de Lisboa, o A Arte da Big Band decorre em várias praças da capital, entre o meio de Agosto e o fim do Verão. Cinco concertos, cinco orquestras na rua, é uma óptima ocasião para conhecer o que fazem as poucas orquestras nacionais, especialmente penalizadas pela crise pelo número de músicos envolvidos.
Infelizmente é precisamente nesse período que não estou em Lisboa, pelo que apenas tenho assistido a um ou outro concerto. Este ano as cinco orquestras convidadas foram Orquestra AngraJazz, a LUME Big Band, a Orquestra de Jazz do Hot Club de Portugal, a Big Band do Município da Nazaré, e a Thoneline Orchestra, convidada oriunda da Alemanha, dirigida pela saxofonista e compositora Caroline Thon, num possível ensaio da internacionalização do ciclo. Apenas assisti aos concertos da LUME e da Orquestra do Hot Club, duas orquestras bastante diferentes na sua natureza.
A origem das orquestras define muito da sua personalidade, sendo que muitas são criações de cidades ou instituições e outras são o simples instrumento de um indivíduo. Com nuances, é claro, muitas evocam o património de um grande músico (as orquestras de Count Basie, Sun Ra ou a Vanguard, para dar exemplos bem distintos), e outras, mesmo sendo orquestras de repertório, tiveram uma grande evolução no tempo, e normalmente acusam o trabalho dos directores e arranjadores e até compositores, sendo que alguns reúnem algumas ou todas destas características.

Orquestra Jazz do Hot Club de Portugal
A Orquestra de Jazz do Hot Club de Portugal é, como o nome indica, a orquestra do mais antigo clube de Jazz nacional, nascida em 1991, reunindo um grupo de músicos seniores que tinham na sua maioria crescido no Hot, mas a sua origem poderá até ser reconstituída aos finais dos anos 70 quando o espírito visionário de Zé Eduardo reuniu um grupo de jovens promissores na Orquestra Girassol.
A orquestra tem tido uma vida irregular, por razões que se prenderão muito com a actividade dos seus membros, mas tem tido actividade regular a partir de 2012, com o actual director, Luis Cunha.
Embora a orquestra tenha recebido alguns originais, ela é fundamentalmente uma orquestra de standards. Para o ciclo, a orquestra preparou uma homenagem a um dos grandes directores do período de ouro do swing, Glenn Miller.
Director e trombonista, amado e odiado, Glen Miller foi, para o melhor e o pior, o grande divulgador de swing ao longo do planeta e «In The Mood» foi na segunda guerra o hino (não oficial) do exército americano. Paradigma do Jazz branco, «integrado» (muita da razão que motivou a origem do bebop), Miller popularizou-se pela energia e por um Jazz depurado que fazia as pessoas dançar. Mas, a título de curiosidade, diga-se, ele nem figura na maior parte das enciclopédias de Jazz.
Programado para a Ribeira das Naus para a última quinta feira do Verão a orquestra teve uma prestação apenas regular. Creio que, pelo espaço e pelo público, a orquestra deveria ter optado por explorar a faceta mais epidérmica da música de Glen Miller, mas ao invés embrenhou-se nalguns arranjos mais intrincados, nem sempre bem sucedidos, e as prestações individuais também não estiveram sequer ao nível do melhor do que conhecemos naqueles músicos. Alguns dos temas foram cantados por Rita Maria, também ela numa prestação sem história.
A orquestra tocou, ao que identifiquei, «In The Mood», «Don't Sit Under The Apple Tree», «Over the Rainbow», «Moonlight Serenade», «Chattanooga Choo Choo», «Stardust», «I Got Rhythm», entre outros temas populares da altura, repetindo «Apple Tree» no encore.

LUME Big Band
Bem diferente no conceito, a LUME, Lisbon Underground Music Ensemble, é a orquestra e o instrumento de Marco Barroso.
Com apenas sete anos de idade, a LUME tem padecido dos problemas que sofre o Jazz em Portugal, agravados pela sua condição de orquestra. Ainda assim, ela já gravou dois discos e tem granjeado alguma visibilidade, assinalável até pela dificuldade em reunir aquele grupo de notáveis, normalmente envolvidos em projectos pessoais ou ensino.
Escrevi sobre a LUME aquando do primeiro disco, assinalando a irreverência e humor de Marcos Barroso e a miríade de referências que faziam a orquestra «morder» as margens do Jazz. O engenho colocado nos arranjos, com combinações de instrumentos invulgares, o uso de contrapontos, mudanças de ritmo súbitas, colcocavam-no num patamar acima da maioria dos arranjadores nacionais, sugerindo outros voos. O maior risco da música de Barroso era, para mim, o excesso de referências, a repetição e o pastiche.
Alguns anos volvidos e um disco depois, a LUME mantém-se como uma orquestra com interesse e personalidade, mas eu diria que começa a acusar três problemas que não eram visíveis na primeira fase: a repetição (insistência) de uma mesma fórmula nos arranjos e nas combinações instrumentais; a simplicidade das composições (por vezes resumidas a retalhos), de certa forma disfarçada pelo intrincado dos arranjos; e a debilidade dos arranjos para a secção rítmica, confinados a um funky produzido pelo baixo eléctrico e a bateria de André Sousa Machado.
Nada que perturbe o público que acorreu ao Largo do São Carlos, que basicamente lá vai para se passear e abanar o capacete, o que é uma atitude absolutamente legítima, convenhamos.
Solos de bom nível de solistas de primeira água, Ricardo Toscano, Gonçalo Marques, Paulo Gaspar, José Menezes e Eduardo Lala.

Qui 20
Ago
Lisboa Jardim Arco do Cego 19.00 Orquestra Angrajazz Claus Nymark (dir), Pedro Moreira (dir), Sara Miguel (voz), José Pedro Pires (clb), Micaela Matos (sa), Rui Borba (sa), David Corvelo (sa), Rui Melo (st), Mauro Lourenço (st), Luis Valdemar Dias (sb), Márcio Cota (t), Paulo Borges (t), Bráulio Brito (t), Roberto Rosa (t), Gonçalo Ormonde (trom), Rodrigo Lucas (trb), Antonella Barletta (p), Paulo Cunha (ctb), Nuno Pinheiro (bat)
Qui 27 Lisboa Parque das Conchas 19.00 Big Band do Município da Nazaré Adelino Mota (dir), Joaquim Pequicho (sa), Nuno Mendes (sa), João Capinha (st), Pedro Morais (st), Ricardo Cipriano (sb), Vítor Guerreiro (t), Margarida Louro (t), Luís Guerreiro (t), André Venâncio (t), Rui Correia (trb), Élio Fróis (trb), André Ramalhais (trb), Fábio Matias (trb), Gonçalo Justino (g), Ricardo Caldeira (p), Tiago Lopes (b), Bruno Monteiro (bat), Júlia Valentim (voz)
Qui 3
Set
Lisboa Largo da Estação do Rossio 19.00 Thoneline Orchestra
«Black&White Swan»
Caroline Thon (dir), Malte Dürrschnabel (s), Johannes Ludwig (s), Stephan Mattner (s), Jens Böckamp (s), Norbert Emminger (s), Ben Degen (trb), Rafael Klemm (trb), Tobias Wember (trb), Wolf Schenk (trb), Matthias Knoop (t), Steffie Deckers (t), Menzel Mutzke (t), Matthias Bergmann (t), Andreas Wahl (g), Laia Genc (p), Nils Tegen (tec), Sebastian Räther (ctb), Jens Düppe (bat), Filippa Gojo (voz)
Qui 10 Lisboa Largo de S.Carlos 19.00 L.U.M.E. - Lisbon Underground Music Ensemble Marco Barroso (dir, p), Manuel Luís Cochofel (f), Paulo Gaspar (cl), Ricardo Pires (ss), João Pedro Silva (sa), José Menezes (st), Elmano Coelho (sb), Jorge Almeida (t), Gonçalo Marques (t), Pedro Monteiro (t), Luís Cunha (trb), Eduardo Lála (trb), Pedro Canhoto (trb), Miguel Amado (b-el, ctb), André Sousa Machado (bat)
Qui 17 Lisboa Ribeira das Naus 19.00 Orquestra de Jazz do Hot Clube de Portugal
«A música de Glenn Miller»
Luís Cunha (dir), Johannes Krieger (t), Tomás Pimentel (t), Gonçalo Marques (t), Diogo Pedro (t), Lars Arens (trb), Xavier Ribeiro (trb), Rúben da Luz (trb), Diogo Costa (trb), Ricardo Toscano (sa), Paulo Gaspar (s), César Cardoso (s), Daniel Vieira (s), Mateja Dolsak (s), Óscar Graça (p), Nuno Costa (g), António Quintino (ctb), Pedro Felgar (bat), Rita Maria (voz)