Abdullah Ibrahim através ds discos
E por um momento foi como se um vento quente tivesse passado por nós, sussurrado, tranquilo, e soubemos que o poeta tinha partido; o poeta que tinha cantado as lágrimas e os risos de África já não estava cá. |
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| Jazz Epistle Verse 1
(The Jazz Epistle CD) |
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Inspirados pelo jazz moderno dos Jazz Messengers de Art Blakey, um grupo de jovens músicos reuniu-se em Janeiro de 1960 para gravar este disco; que marca o início do jazz moderno em África (e no caso, África do Sul). O grupo dissolver-se-á logo após o massacre de Sharpeville em Março (em que a policia atirou indiscriminadamente contra a multidão, tendo morto 69 pessoas e ferido 186, incluindo mulheres e crianças, muitas baleadas em fuga, pelas costas). Formado nos anos 50, os The Jazz Epistles eram um verdadeiro supergrupo onde Dollar Brand era o pianista, mas a banda contava ainda com outras estrelas: o trompetista Hugh Masekela, o saxofonista Kippie Moeketsi, o trombonista Jonas Gwangwa, Johnny Gertze no contrabaixo e Makaya Ntshoko. Depois do massacre o regime do apartheid apertou a repressão e muitos sul-africanos procuraram refugiar-se na Europa ou EUA. Masekela assina uma das composições, Dollar Brand três e o malogrado Kippie Moeketsi as restantes quatro, mas os arranjos pertenceram ao colectivo. É um disco de bebop culto, com algo subtil do folclore africano, dir-me-ão, e se começa por merecer pelo valor histórico, a verdade é que a intervenção do pianista nunca é despicienda, e os dois solos, em Uku Jonga Phambili e Gafsa já anunciam o grande Dollar Brand. Mas é um grande disco, esquecido, que vale a pena recuperar. A primeira edição foi de apenas 500 exemplares. 1960. |
Dollar Brand Plays Sphere Jazz |
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Gravado em Fevereiro de 1960 (editado já em 1962), quase que pode ser considerado um disco dos The Jazz Epistle, até porque tem a mesma secção rítmica e, apesar do nome do disco sugerir a ascendência de Monk, ela nem sempre é explícita (diria que se dividem entre Monk, Bud Pwell e … Duke Ellington) e apenas um tema lhe pertence. O trio pratica um bebop fluente e alegre e, apesar da irregularidade, Dollar Brand Plays Sphere Jazz ouve-se muito bem. |
Duke Ellington Presents The Dollar Brand Trio |
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É o disco que catapultou Dollar Brand para o reconhecimento internacional, graças à persistência de Sathima Benjamin junto de Duke Ellington, que acedeu a assistir a um concerto seu. Convencido, Ellington apadrinhou o disco do trio e a gravação de um outro com Sathima (já lá vamos). Estamos perante um disco verdadeiramente obrigatório da discografia de Dollar Brand, a revelar-se como compositor, com uma aproximação ao estilo minimalista stride de Ellington nos cinco originais, e uma respeitável reverência a Thelonious Monk em Brilliant Corners. A partir daqui o céu era (foi) o limite. O trio são os companheiros Johnny Gertze e Makaya Ntshoko. Cinco estrelas. Gravação 1963 e edição de 1964. |
Anatomy of a South African Village |
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A versão que eu tenho, porque existem outras, é uma das versões da Black Lion de 1993, com quatro temas: Anatomy of a South African Village, Smoke Gets In Your Eyes, Mamma e Boulevard East; mas ao que sei a versão original tinha cinco temas e não coincidentes; Anatomy of a South African Village, Tintiyana, 'Round Midnight, Honey e Light Blue. Vá-se lá saber porquê. Andei pela internet e encontrei outras versões com outros temas. O disco corresponde a um concerto no Jazzhus Montmartre de Copenhaga de 30 de Janeiro de 1965, e se era para não respeitar o original podiam ter editado a sessão toda, não é? Enfim, aquilo era para render. O tema que dá o nome ao disco foi concebido com uma suite para orquestra - poema sinfónico dividido em cinco partes -, que no disco foi modificado para o trio com o piano em evidência. O piano de Dollar Brand já se tinha expurgado de toda a reverência, mesmo se as formas angulares de Monk e Ellington lá estavam, e o folclore africano, mas o que ele faz é usar esse conhecimento que é da tradição Jazz, de forma ousada, num abuso de obstinados que é inesperado, e que confirma o desejo de Brand de ir mais além, num campo que pertenceria às vanguardas, mas onde ele surpreendentemente se move bastante bem, como se confirmaria (e onde a única coisa que parece correr menos bem é o público que não percebe que se está a fazer História). Posso dar 7 estrelas? Gravado e editado em 1965, com várias edições posteriores. |
This Is Dollar Brand (ou Reflections) |
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Primeiro disco a solo do pianista, This Is Dollar Brand foi gravado em estúdio em 1965, mas só viu a luz em 1973, pela mão da editora Black Lion. É um disco introspectivo, que mistura canções (Honeysuckle Rose ou You Are Too Beautiful) com clássicos do Jazz (Reflections, Monk's Mood, Mood Indigo/ Don't Get Around Much Anymore/ Take the 'A' Train" – Monk e Ellington), Little Niles de (Randy Weston), e cinco originais de Dollar Brand. Formato canção, 3 minutos, lírico e bonito. A edição CD dos anos 80 rebaptizou-o de Refletions. 1965 (1973, 1989…) |
African Sketchbook |
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É um disco que marca uma viragem na vida do pianista, que se tinha convertido ao islamismo, embora do ponto de vista estético algo dos ambientes obsessivos e espirituais de Anatomy of a South African Village se pudessem já observar. O disco combina memórias de África com a tranquilidade e a melodia da religiosidade recente, com alguma experimentação. O disco é composto de peças curtas, e começa e acaba com a mesma composição, Salaam-Peace-Hamba Kahle, um misto de árabe - inglês – zulu que pode significar paz para ti ou vai em paz. Gravado em estúdio em 1969, Dolar Brand toca flauta e piano. |
African Piano |
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African Piano é o contrário de African Sketchbook, mesmo se foi gravado com cinco meses de distância. Esta é uma gravação ao vivo, no Jazzhus Montmartre, em Copenhaga (a mesma sala de Anatomy of a South African Village), e não tem, de facto, nada em comum, começando por ser uma colagem ininterrupta de oito originais, com a improvisação em evidência, abusando de repetições, ostinatos e vamps. Ele é um pianista percussivo, mas em African Piano ele abusa dos block chords, numa obstinação que seria a sua assinatura. Outra masterpiece. Tendo sido gravado em outubro de 1969 o disco aguardaria quatro anos para ver a luz do dia, em 1973, na JAPO, uma subsidiária da ECM. |
African Space Program |
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Este será porventura a mais interessante das incursões de Dollar Brand ao jazz orquestral. Sendo raras, ele já tinha revelado interesse pelo trabalho para orquestra com um concerto rádio da Danish State Radio Big Band, que terá interpretado a primeira versão deAnatomy of a South African Village. Este concerto nunca foi editado e estará, talvez, perdido nos arquivos da Radio; e a gravação que conhecemos é a do trio que atrás referi. African Space Program (o meu primeiro disco de Dollar Brand, há muiiiiiitos anos, comprado na Valentim de Carvalho da Nova do Almada) é um disco intenso, de uma intensidade digna de Coltrane. O disco contém apenas dois temas, Tintiyana (que se tornaria um clássico e que ele tinha estreado pouco tempo antes), em duas partes, e um segundo tema, Jabulani - Easter Joy. É um disco em que o pianista quase se recolhe ao anonimato, revelando-se como compositor e arranjador, e director; e onde mais uma vez ele mostra a modernidade das suas ideias, de uma vanguarda que, à semelhança de um Charlie Mingus, se recusa a transpor a linha do free-jazz. Tintiyana, verdadeiramente um hino, é onde a marca da mãe África se revela na primeira parte, nas percussões, no arco do contrabaixo e nas flautas; enquanto a segunda parte está reservada ao desenvolvimento e aos solos, que se sucedem e alternam suportados pelo tutti, em ondas que se entrelaçam num trabalho de escrita insuspeitado. O segundo tema é bastante uma conclusão, mais impressiva, mas também, pode parecer, caótica, com a composição a quase desaparecer entremeio nos solos; mas a direcção, a mão de Dollar Brand está sempre presente. Os solos sucedem-se em catadupa, enérgicos, violentos, o mesmo caos - controlled chaos - do Ascension de Coltrane. E África regressa, explícita, nos últimos acordes de Jabulani - Easter Joy. Mais sete estrelas a esta gravação de 1973, para uma edição de 1974, suportada e patrocinada pela ENJA, que já se tinha estreado com Dollar Brand com African Sketchbook. |
Mannenberg - 'Is Where It's Happening' |
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Manenberg é um bairro periférico da Cidade do Cabo e, com esta canção, uma longa vamp estrutural de três acordes, sobre a qual os solistas, os saxofonistas Basil Coetzee e Robbie Jansen, constroem os solos. Manenberg é uma referência musical ao marabi, uma forma musical africana baseada num ritmo contagiante e hipnótico que pretende manter as pessoas a dançar indefinidamente. Há algo de contraditório na música de Dolar Brand (por esta altura já se apresentava com os dos nomes, Dollar Brand e Abdullar Ibrahim), que pretende denunciar a repressão do regime, e por outro lado constrói canções bonitas que as pessoas trauteiam; e que só pode explicar pela religiosidade e não-violência que pregava. O disco foi um sucesso de vendas imediato na África do Sul e involuntariamente o tema Manenberg tornou-se o hino da resistência ao apartheid. Uma versão posterior mudou o nome do disco para Capetown Fringe. Disco de 1974. |
Dollar Brand – African Herbs (ou Soweto) |
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Incursão no funky que lhe era oferecido pelo baixo eléctrico em duas das três composições: African Herbs e Sathima, e pelo piano eléctrico de Soweto Is Where It's At. Formação alargada de três saxofones, trompete e secção rítmica a servir uma música epidérmica a suar África. Inadvertidamente também, este disco tornou-se outro emblema da contestação ao regime racista devido ao nome do tema Soweto, onde pouco depois ocorreria a célebre e dramática revolta estudantil – o levantamento de Soweto; o que levaria à alteração do nome do disco para Soweto. Disco de 1975. |
Duet (Archie Shepp & Dollar Brand) |
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Não conhecia este disco, mas andei à procura e encontrei-o no youtube. Recordemos que por esta altura Archie Shepp se tinha feito notar pelos duos intimistas, o primeiro dos quais com Horace Parlan, em 1977, o célebre Goin' Home, para a Steeplechase. (Goin' Home não é o primeiro disco em duo de Shepp, mas eu diria que é o primeiro com estas características “intimistas”). O êxito de Goin’ Home levou a outros encontros com Horace Parlan, mais dois (Trouble in Mind, de 1980, e Duo Reunion de 1987), um outro com o contrabaixista Niels-Henning Ørsted Pedersen (Looking atthe Bird, de 1980), este com Dollar Brand, de 1878; e ao longo dos anos Archie Shepp entabulou outras conversas intimistas, com resultados diferentes. Este Duet possui algumas características do disco de Horace Parlan, lento, grave, rude, bluesy. Bonito. |
African Marketplace
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Uma colecção de hits: The Wedding, The Homecoming Song, Whoza Mtwana, African Marketplace, Anthem For The New Nation; música de África para dançar, bem feita, por grandes músicos. Creio que este é o único disco de Abdullah Ibrahim editado pela Elektra, que investiu na produção do disco, a começar pela bonita capa e continuando na formação alargada de 12 músicos que inclui Carlos Ward, Cecil McBee, Craig Harris, sete sopros, banjo, percussões… Disco de 1979. |
Africa - Tears And Laughter |
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Fruto do acaso – de a editor alemã ENJA ter uma boa distribuição em Portugal -, alguns discos e entre os quais este, foram populares entre nós. Sorte a nossa, a música de Abdullah estava já completamente estabelecida, o estilo percussivo de piano, as repetições, os graves, e as composições, que se afastavam da vanguarda, depois dela ter retirado o que necessitava, e as insuflavam dos odores e das cores de África. Africa - Tears And Laughter é um disco enérgico, colorido, com referências à floresta, um maravilhoso e sugestivo The Perfumed Forest Wet With Rain, ou religioso, Ishmael, ou mais político, com um toque de humor, Liberation Dance (When Tarzan met the African Freedom Fighters). Gravado e editado pela ENJA em 1979. |
At Montreux |
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Dolar Brand/ Abdullah Ibrahim era já uma estrela e a sua ida a Montreux em 1980 foi apenas um episódio. Nada de novo, alguns dos temas já estavam até no disco anterior ou noutros (The Wedding, Tsakve, Whoza Mtwana, The Perfumed Forest…, Ishmael…), mas o disco tornou-se outro dos sucessos da ENJA. Entre nós também. |
Ekaya |
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O Ekaya terá sido porventura a mais sólida das bandas de Abdullah Ibrahim, mesmo se o pianista sempre se fez rodear de grandes músicos, e a afinidade entre eles sempre foi grande; mas este disco é outro incontornável do Jazz dos anos 80. Ibrahim e a esposa, Sathima, foram os produtores do disco e não descuraram nenhum pormenor, a começar pelo estúdio; nada menos que o estúdio do senhor Rudy Van Gelder em New Jersey. Aparentemente Ibrahim quis fazer um disco de Jazz, com músicos americanos, o que nem sempre acontecia devido à sua ligação à Europa, e a escolha dificilmente poderia ser melhor: Carlos Ward e Ricky Ford saxofones e Charles Davis em barítono num dos temas, Dick Griffin no trombone, e uma secção rítmica com Cecil McBee e o baterista de Thelonious Monk, Ben Riley (escolhido cirurgicamente). Se a produção e o financiamento foram, por escolha própria, absolutamente independentes, a direcção musical colocou alguns problemas desde logo porque as pautas de Ibrahim era… vagas…, de acordo com um método que se diria oral. Outro dos problemas foi o tempo de estúdio que obrigou a que a gravação fosse feita num único dia, quase sem ensaios e segundas takes. Mas o resultado está à vista, as composições são de Abdullah Ibrahim, mas a começar pelo fortíssimo Ekaya (casa em zulu ou bantu), a interpretação é claramente mais jazzy, e mais forte, também porque o piano se retrai, deixando os instrumentos ser eles. Ricky Ford e Carlos Ward estão exemplares, como o trombone ou a secção rítmica, mas claramente têm uma abordagem dos temas diferente, ora impetuosa ora doce, mas mais jazz; e claramente foram capazes de compreender as ideias do mestre. O Ekaya tocou em Lisboa no Pavilhão do Belenenses algures nos anos 80, num concerto absolutamente inesquecível. Disco de 1983. (Posso dar 10 estrelas?) |
Water from an Ancient Well |
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Abdullah Ibrahim regressa aos estúdios de Van Gelder dois anos depois, com os mesmos Ekaya (embora a banda não esteja creditada), com excepção de Cecil McBee, substituído por David Williams, que o pianista faz questão de distinguir oferecendo-lhe, por exemplo o longo solo de baixo no tema que dá o nome ao álbum, uma lânguida balada de 11 minutos. Don Cherry disse sobre este disco: Estas músicas que compôs transmitem a sensação de serem o mesmo tipo de música com que construíram as pirâmides... Ele consegue fazer-nos perceber essa intemporalidade... Não serão tanto as canções, mas a forma como são (dir-se-iam) cantadas, como se sempre tivessem existido e encontradas no poço da vida que faz parte (do imaginário) de todas as culturas. Um pouco contraditoriamente, eu já o referi anteriormente, a música de Abdullah Ibrahim é por demais bonita, e ele foi sempre procurando a beleza das coisas, e mais e mais ao longo da vida; mas ele não deixou nunca de se manifestar contra a opressão do seu povo; e as músicas, mesmo as mais explícitas – e nada podia ser mais explícito que uma homenagem a Nelson Mandela ou ao massacrado bairro de Manenberg – são bonitas. Este é um discos mais aclamados de Abdullah Ibrahim e parece que foi incluído numa daquelas coisas do tipo do disco para levar para a ilha secreta, e no caso no célebre livro de referência musical “1001 Albums You Must Hear Before You Die”; mas confesso que o acho excessivamente contemplativo e bonito. A minha preferência vai para o anterior Ekaya. Editado em 1985 para a TipToe, uma subsidiária da ENJA. |
African River |
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Ao longo dos anos Abullah Ibrahim foi renovando o Ekaya, e a formação que gravou African River é muito interessante, com John Stubblefield e Horace A. Young nos saxofones, Robin Eubanks no trombone, Howard Johnson na tuba, trompete e sax barítono, Buster Williams no contrabaixo e Brian Abrams na bateria. Sem propriamente novidades, elas seriam difíceis, African River é um disco onde o jazz se funde com a África, tranquilamente. O disco refere explicitamente Abdullah Ibrahim & Ekaya, 1989 |
Yarona |
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No meio da produção de Abdullah Ibrahim está a banda sonora de filmes ou algumas raras colaborações, duas experiências orquestrais desinteressantes, mas também recorrentemente o regresso à formação clássica trio ao solo, que produziram frequentemente discos; e ele gravou até há três anos(!), emora o interesse tenha baixado, naturalmete, e muito do que a que gostámos de assistir é ternura. Mas ainda não estamos nessa fase. Yarona, de 1995, Tiptoe (ENJA), é o feliz regresso ao formato trio com Marcus McLaurine no contrabaixo e George Johnson na bateria, dois músicos de jazz indiscutível. O repertório contempla uma homenagem a Duke Ellinton e uma outra a Don Cherry, entre clássicos do pianista (African Marketplace, Tintinyana e outros), e é um disco de Jazz sólido e saboroso. |
Senzo |
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Escrevi em 2008 aqui mesmo no meu site: «Para os que vaticinaram o fim do pianista sul-africano, Senzo não pôde deixar de ser uma surpresa; justificada ainda assim, se tivermos em conta o xaroposo African Suite para trio e orquestra. |
A Morning in Paris (Sathima Bea Benjamin) |
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A cantora Sathima Benjamin foi a responsável pelo encontro de Duke Ellington com o então seu marido Dollar Brand, que patrocinou o disco Duke Ellington Presents The Dollar Brand Trio, mas patrocinou também outra gravação, da cantora, que teve a participação de três pianistas: Abdullah Ibrahim (na altura ainda Dollar Brand), o próprio Duke Ellington, e Billy Strayhorn (!), a ainda o trio africano de Brand, Johnny Gertze e Makaya Ntshoko e ainda o pizzicato violin de Svend Asmussen. Mas ao contrário do disco de Dollar Brand, o álbum de Sathima Benjamin não foi editado porque os responsáveis da editora consideraram que o disco não tinha potencial comercial e inclusive perderam as tapes. Apenas 30 anos mais tarde o engenheiro Gerhard Lehner, que tinha feito uma cópia de segurança (pirata, diríamos) que terá vendido à ENJA. É um disco “fora de tempo”, diria. Sathima tem uma voz quente e bonita, e uma colocação das palavras lenta, algo peculiar, que por qualquer razão não corresponderia aos cânones das majors, e se perdeu; mas merece a redescoberta. Curiosamente Abdullah Ibrahim apenas toca noutro disco de Sathima, African Songbird de 1976. Gravação de 1963, que apenas viu a luz em 1997.
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