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Orquestra Angra Jazz, a orquestra improvável


A Orquestra Improvável
Conta Claus Nymark num dos textos de apresentação do CD da Orquestra AngraJazz que Sheila Jordan se espantou com a existência de uma orquestra de Jazz num tão recôndito e improvável lugar como a ilha Terceira, e com o seu nível. Nascida das mesmas mentes visionárias que deram vida ao festival, a Orquestra AngraJazz é hoje mais do que um sonho que importa alimentar.
No disco que me chegou às mãos, gravado há um ano atrás por ocasião do festival, o repertório da orquestra foi quase integralmente composto por clássicos pré-bebop, entre os quais vários temas escritos ou popularizados por Duke Ellington: «The Mooche», «Embraceable You», «Black And Tan Fantasy», «How Long Has This Been Going On», «Take The “A” Train», ou «Don’t Get Around Much Anymore». A tarefa não é fácil, ao contrário do que podem crer alguns juízos mais apressados – Duke Ellington não foi um escritor fácil, bem pelo contrário – e orquestra que não saiba tocar «Take The “A” Train» (João Moreira é o trompetista convidado) não será digna desse nome. É com prazer que ouvimos os velhos temas ganharem novas roupagens, que contemplam também o ícone do bop «Night In Tunísia» ou a fusão mais moderna de «Birdland» (Joe Zawinul).
A improvável orquestra tem swing! As debilidades da orquestra resultam, como será evidente, da insularidade. Elas notam-se talvez mais na secção rítmica (e curiosamente mais nos tempos lentos), mas mesmo nas prestações solistas mais ingénuas se denota uma energia e um entusiasmo que apenas podem ser auspiciosos. E diga-se que este entusiasmo tocou por decerto a voz da diva Paula Oliveira que tem aqui alguns momentos absolutamente soberbos. A sua voz é ora vigorosa ora terna, subtil, sempre expressiva, a comprovar porque ela é uma das melhores vozes nacionais – talvez a melhor! – a cantar Jazz.
(obs: Há algum tempo expressei algumas interrogações sobre o repertório «nacional» da cantora. Perdoem-me mas eu prefiro cem vezes a Paula Oliveira a cantar standards! É aqui que ela se revela, que ela é realmente a maior!)