JazzLogical 22 de Junho de 2022

O destaque da semana é o Jazz no Parque – Barreiro, nove concertos num fim de semana, cinco dos quais internacionais, entre os quais Kurt Rosenwinkel e Marc Copland, mas também  Lucian Ban com John Surman e Mat Maneri, Julia Hulsman, Mário Costa, Miguel Ângelo e César Cardoso.

Outros concertos a referir são as três noites do Hot Club, do vibrafonista Eduardo Cardinho com Ben Van Gelder na quinta (23) e do fogoso Gileno Santana na sexta e no sábado (24 e 25).

Ainda o projecto Do acaso «Catarse civil», «Um colectivo de jovens compositores e intérpretes que se dedica a explorar possibilidades entre a música e as palavras», no Cinema Paraíso, em Tomar, na sexta 24;
e o concerto semanal da Porta-Jazz, o Mário Costa «Oxy Patina IV», no sábado às 19.00.

E ainda a
Orquestra Jazz de Matosinhos com Manuela Azevedo na Real Vinícola, também sábado, às 18.00;
e a Maria João & João Farinha, no Som no Coreto (Lisboa), sábado, 18.30.

Jazz no Parque 2022 - Barreiro

Com programação de Jorge Moniz e produção do Município do Barreiro, o Jazz no Parque teve a primeira edição em 2019, tendo sido interrompido devido à pandemia covid.

Os nomes internacionais convocados para este ano são de peso, com destaque para o guitarrista Kurt Rosenwinkel e Marc Copland, que temos visto em Portugal com alguma regularidade, mas também uma das estrelas da ECM, a pianista Julia Hülsmann, e ainda a peculiar investida no folclore da Transilvânia de Lucian Ban, John Surman e Mat Maneri; e internacional é também o renovado Oxy Patina de Mário Costa.
Do norte vem também Miguel Ângelo, o baixista e compositor que traz consigo «A dança dos desastrados», disco de 2021, e de Leiria o saxofonista, professor e igualmente compositor César Cardoso, que irá tocar «Dice of Tenors», uma interpretação pessoal da música dos grandes tenores.
E o festival completa-se com os concertos da Escola de Jazz do Barreiro e da Academia de Jazz «Os Franceses».

Todos os concertos estão programados para o luxuriante Parque da Cidade (a partir da tarde), e nele coloco, ainda assim as minhas reservas. Não quanto à música ou ao local, mas à adequação da música ao espaço, dado que todos os concertos são de carácter algo intimista, menos próprios, a meu ver, para ser apresentados em espaços abertos. (E recordo a minha frustração no concerto do Jacob Bro, de 2019, bastante penoso de assistir, e onde poucos na audiência terão prestado atenção.)

Mas, como atrás disse, nada a apontar à programação, do ponto de vista da qualidade dos músicos convocados, e apenas tenho a aplaudir a continuidade do festival, num momento em que os concertos rareiam na capital.
Quanto ao espaço, ele é digno da festa que se espera, também de convívio.  

Sexta, 24, 21.30
Lucian Ban, John Surman, Mat Maneri «Transylvanian Folk Songs»
Marc Copland Quartet feat Mark Feldman

Sábado 25, 16.00
Escola de Jazz do Barreiro

Sábado 25, 18.30
Miguel Ângelo Quarteto «Dança dos desastrados»

Sábado, 25, 21.30
Julia Hulsman Quartet «Not Far From Here»
Kurt Rosenwinkel Trio

Domingo, 26, 17.00
Academia de Jazz »Os Franceses»

Domingo, 26, 18.30
César Cardoso Ensemble «Dice of Tenors»

Domingo, 26, 21.30
Mário Costa «Oxy Patina IV»

Matosinhos, Real Vinícola, sábado, 25, 18.00
Orquestra Jazz de Matosinhos com Manuela Azevedo


Porto, Porta Jazz (Casa d'Artes do Bonfim), sábado, 25, 19.00
Mário Costa Oxy Patina IV


Tomar, Cinema Paraíso, sexta, 24
Do acaso «Catarse civil»


Lisboa, Hot Club, quinta, 23
Eduardo Cardinho Quinteto com Ben Van Gelder

Lisboa, Hot Club, sexta e sábado, 24 e 25
Gileno Santana Trio


Lisboa, Som no Coreto, sábado, 25, 18.30
Maria João & João Farinha


Outros concertos e mais informação na Agenda Jazz.


 

E na Agenda Jazz já estão também
o Jazz no Parque (Barreiro, Junho),
o Funchal Jazz, Funchal, Julho),
o Jazz im Goethe-Garten (Lisboa, Julho),
o Julho é de Jazz (Braga, Julho)
o Festival Internacional de Música de Espinho (Julho, Espinho)
o Que Jazz é Este? (Viseu, Julho)
o Festival das Artes QuebraJazz (Coimbra, Julho-Agosto)
o Jazz em Agosto (Lisboa, Julho-Agosto)
e o Angra Jazz (Angra do Heroísmo, Outubro)

 

 

 


 
   
     
 
Homeward Bound
Jonathan Blake
The Complete Live at the Lighthouse (1970)
Lee Morgan
 
 
Prémio CD 2021
Prémio CD 2021
 
         
     
 
James Brandon Lewis
Samara Joy
 
 
Prémio Músico 2021
Prémio Revelação 2021
 
         
       
 
Covid 2.º ano
 
George Wein
 
 
Acontecimento 2021
 
Tribuna de Honra 2021
 
           
 
 
Jean-Louis Comolli
1941 - 2022
 
Grachan Moncur III
1937 - 2022
 
     
 
Paulo Gil
 
 
1937 - 2022
 
 

A que horas começa o primeiro set?

Olá! Cheguei! – a voz trovoou entre as nuvens, batendo na porta do guichet e no olhar assarapantado do anjo de turno.
Nome e morada, por favor – perguntou, já burocraticamente refeito.
Deixa-o a entrar – disse Pedro, o capataz, sentado na nuvem mais distante e sem levantar os olhos das Escrituras – É o Paulo!
***
Num instante o céu alvoroçou-se. Na sala dos steinways, Bábá deixou um bolero em suspenso, Marcos fechou o fender sobre um samba de uma nota só e Canelhas adiou a pergunta sobre um acorde do bolero de Sassetti que o intrigava. Paulo foi recebido com tantos abraços e !!!s que deixou cair as baquetas que trazia no bolso do casaco.
Mais longe, Sangareau sorriu e Jean Pierre fez stop no vídeo de Belarmino enquanto, a seu lado, Manuel Jorge pousava o iPad, interrompendo a leitura das notícias, e puxava mais um abraço: Sempre a considerá-lo! E sem interrupções: então, quais são as últimas lá de baixo?
Tudo na mesma, o Benfica perdeu, respondeu Paulo com um sorriso maquiavélico. Manuel Jorge deu um pontapé na tarola mais perto. Cuidado com o material – gritou Pedro, o capataz.
Mas a malta continua a nascer como cogumelos – continuou Paulo numa avalanche em crescendo. Só na última semana ouvi meia dúzia de saxofonistas, 4 trompetistas, 2 trombones, um vibrafone, 3 baterias, 8 contrabaixos, 7 pianos, 2 big bands e – rindo – nenhum guitarrista! Ah! e 33 cantoras, claro… E sabem tudo!
Como no nosso tempo… galhofou Manuel Jorge. O problema é encontrar palcos para pô-los a tocar.
Muitos deles já estão apalavradas para Valado de Frades – informou Paulo.
Este ano há Seixal? – interrogou Mendonça, sentado numa nuvem mais abaixo. Claro, que é que esperavas?, respondeu Paulo.
Vê lá se te fazem o mesmo que a mim no Estoril. – voltou Mendonça – Isto está é para os tipos que não gostam de jazz. Ainda ontem li que vão uns suiços ao Goethe tocar “uma música hipnótica e hipnotizante que vai tornar os jardins num spa ao ar livre”…
Quando as gargalhadas abrandaram, apareceu Rui Cardoso: Oh pá!, estava a ver que nunca mais vinhas! Na nuvem dos saxofones, às voltas com um rico, Jorge Reis riu-se: agora é que acabou o descanso… Discreto como sempre, Nuno Gonçalves deitou o contrabaixo: A secção rítmica já está completa.
E Paulo de repente: E o Villas? Onde é que anda o Villas?
Fala baixo – sussurraram os irmãos Mayer. – O Villas continua a ver se consegue que o Governo Divino lhe aprove os estatutos do Hot Heaven. Não está fácil…
Estás com um ar cansado, atirou-lhe Cardoso. Foi da despedida – contou Paulo, de rosto iluminado – acabámos numa jam, família e amigos, a cantar “I’ll be seeing you in old familiar places…”
Foi bonita a festa, pá – riu-se Marcos.
***
Então o primeiro set nunca mais começa? – perguntou Paulo.
Está atrasado – disse Pedro, tilintando as chaves da porta de entrada.
Ah, ah ah! – gargalhou Paulo – Parece a Praça da Alegria… Estou em casa!

António Curvelo (19 Maio 2022)

RIP

 
 
Jack Kerouac
1922 - 1969
 
50 anos Cascais Jazz
O Cascais Jazz n'A Capital
O Cascais Jazz no República
O Cascais Jazz de 1971 em All Jazz n.º2, 2002
O Cascais Jazz no Diário de Lisboa
 
 
 
 
Exposição «O Jazz na BD» - Auditório Municipal Augusto Cabrita - Barreiro

A exposição «O Jazz na BD» estará patente ao público no Auditório Municipal Augusto Cabrita - Barreiro, e está incluída na «Barreiro Ilustra BD».

A «Barreiro Ilustra BD» conta com trabalhos de Ana Pais, Carlos Rocha, Daniel Maia, Diogo Carvalho, Henrique Gandum, Duarte Gandum, João Gordinho, João Raz, Luis Louro, Osvaldo Medina, Patricia Costa, Paulo Monteiro, Pedro Brito, Quico Nogueira, Ricardo Reis, Rita Alfaiate e Sérgio Santos.

A exposição pode ser visitada até ao fim de Junho.

Concertos 2022


Coreto, Demian Cabaud, Hugo Raro
...

 

O 2021 em concerto

Pelo segundo ano, a pandemia afectou de forma dramática a sociedade e a economia, e o efeito na cultura foi devastador. No Jazz, também, inevitavelmente.
Alguns clubes, salas e festivais procuraram recuperar ao longo do ano, mas apenas agora se começa a antever um pouco de normalidade; uma luz ao fundo do túnel.    
O Hot Club funcionou de forma intermitente, experimentou concertos ao ar livre, em live streaming, ou outras fórmulas, com público reduzido, mas voltou a fechar no final do ano. Situação semelhante para a sala Porta-Jazz, que tem apenas um concerto semanal, que, ainda assim, procurou manter na tenda exterior. Entre as outras pequenas salas que tiveram actividade regular, contam-se o Café Dias e o Penha Sco. Também alguns festivais foram suspensos ou tiveram lotação reduzida, e poucos almejaram a normalidade.
Entre os festivais que se realizaram, o destaque vai para o

24º Festival de Jazz de Valado dos Frades, com dez concertos (entre os quais o Jeffery Davis Quintet, o Gileno Santana Trio, o José Pedro Coelho, o Lab de Ricardo Pinheiro e Miguel Amado e o Mário Costa);

o Ciclo de concertos Circuito do Hot Club, com uma dezena de concertos;

o Festival Robalo Jazz/ Antena 2, com dez concertos;

o Festival ZZ (Braga), com Jaimie Branch, Thumbscrew, Dave Douglas e Franco D’Andrea, Mário Laginha LAN Trio, Ricardo Toscano Quarteto, e outros;

o XJazz (Janeiro de Cima: Bill Frisell Trio),

o Festival Porta Jazz com 14 concertos (entre os quais Vessel Trio, Coreto, Nuno Campos, Hristo Goleminov, Hugo Raro, o Mazam de João Mortágua, o João Pedro Brandão «Trama no Navio» e o André Silva «The Guit Kune Do;

o Jazz em Agosto (João Pedro Brandão «Trama no Navio», Pedro Moreira Sax Ensemble «Two Maybe More», James Brandon Lewis Quartet, e outros);

o novo Festival de Jazz de Sintra (Maria João e Carlos Bica Quartet, João Paulo Esteves da Silva «Brightbird Trio», Mário Laginha e Coreto Porta-Jazz;

o Angra Jazz, de que demos conta aqui em JazzLogical;

o Seixal Jazz, de que falamos hoje;

o 30.º Guimarães Jazz, de que falaremos na próxima semana;

e o ano acabou com a Festa do Jazz (encontro de Escolas de Jazz, mais Diogo Alexandre Bock Ensemble, ENTER THE sQUIGG, Foca, Garfo, César Cardoso, Sara Serpa e outros)

Esperemos que a normalidade regresse com o 2022, porque os músicos precisam, o público e o Jazz. Pela nossa sanidade mental!

Perdidos, no acidente que aconteceu no meu computador, andavam vários textos sobre o Seixal Jazz e o Guimarães Jazz, que aqui publico hoje.


Os CDs:

 
 

Quotes

I know not with what weapons World War III will be fought, but World War IV will be fought with sticks and stones.

Albert Einstein

 

 

Conferência «As Mulheres e o Jazz», 7 de Dezembro 2018, ISCTE, Lisboa, Leonel Santos

Integrada na Conferência Internacional
«Mulheres, Mundos do Trabalho e Cidadania – Diferentes Olhares, Outras Perspetivas»,
ISCTE 6 e 7 de Dezembro 2018

 

Exposição «O Jazz na Banda Desenhada»

Hot Club de Portugal - 15 de Setembro 2021 - 31 de Março de 2022

Curadoria de Leonel Santos

 

 

O gato escarninho

 

O Jazz nos livros em Portugal

8. Jazz Moderno

                 
 

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