JazzLogical 9 Dezembro 2019

 

Os três destaques JazzLogical desta semana são segunda semana do Clubedo promovido pela Porta Jazz (sempre às 22.00 ou 22.30, com excepção do concerto de Paula Sousa, no sábado) em vários locais da cidade do Porto, e que termina com o Ohad Talmor Trio (com o guitarrista Miles Okazaki e o fantástico Dan Weiss na bateria); o lançamento de «Indra» no Hot Club; e os dois concertos do (avassalador, arrebentador e outros adjectivos, no dicionário ou a inventar) Axes de João Mortágua, também no Hot Club.

Sem mais, em detalhe:

Seg, 9 Dez
Wiz, Embaixada do Porto (Clubedo, Porta Jazz)

Ter, 10 Dez
Filipe Teixeira Trio «Tao», Café Concerto da ESMAE (Clubedo, Porta Jazz)

Qua, 11 Dez
Sexteto Mário Santos «bloco A6», Ferro Bar (Clubedo, Porta Jazz)
Indra, «Indra», Hot Club

Qui 12 Dez
Galip «Cale», Hot Five Uptown (Clubedo, Porta Jazz)
Volcano, Café Dias, Lisboa (19.00)
Indra, «Indra», Hot Club

Sex 13 Dez
João Mortágua «Axes», Hot Club
Aladdin Killers, Passos Manuel, (Clubedo, Porta Jazz)

Sáb 14 Dez
João Mortágua «Axes», Hot Club
Indra, «Indra», Casa da Cultura (Setúbal)
Isabel Rato Quinteto «Histórias do Céu e da Terra», Festival de Jazz do Entroncamento
Paula Sousa, Sala Porta Jazz, (19.00)(Clubedo, Porta Jazz)
Ohar Talmor Trio, Sala Porta Jazz, (Clubedo, Porta Jazz)

 

 

Na próxima semana

o Hot Club está em destaque com quatro concertos, o Almeida, Santos, Carvalho, Pereira na quarta (repete na quinta no Dias), o Ohad Talmor Trio na quinta e sexta, e o concerto de Natal do Mota, perdão, da Big Band do Município da Nazaré, entre outros concertos que estão na Agenda Jazz.

 

 

 
 

A Antena 2 acaba de disponibilizar mais de 60 episódios de arquivo de “Um Toque da Jazz
de Manuel Jorge Veloso. Para escuta em streaming.

Era para ter escrito ontem, mas não fui capaz. Há dias assim: a morte do Zé Mário Branco deixou-me consternado.
Cresci com as músicas do Zé Mário Branco e se ele não era o meu escritor de canções preferido (era o Zeca), há algumas músicas que a minha geração cantava e eu sabia-as de cor também. Mas principalmente eu soube desde a juventude que ele era o genial autor de muitos dos arranjos das canções do Zeca, do Sérgio Godinho e tantos outros.
Ao longo dos anos fui apreciando o homem. Ele era um tipo bom. Directo, de coluna vertebral erecta, inquieto (inquietação, inquietação…) e ele nunca claudicou nas suas convicções, na sua solidariedade, na sua ideia de uma sociedade sem muros nem barreiras.
Íntegro, generoso, culto e simples, era o Zé Mário Branco.
Como músico, eu apreciei-lhe muito em especial o génio que colocava nas orquestrações, nos recursos infindáveis, no olhar para o detalhe. Pegue-se no «Cantigas do Maio» do Zeca (para mim o mais importante disco de música portuguesa de sempre, antes e depois, de todos os géneros) ou o «Venham mais cinco» ou… e perceba-se como ele era genial. O Zeca foi o escritor de canções eternas (... um de inúmeros outros méritos), e tinha a música na cabeça, mas o dedo de Zé Mário Branco marcou indelevelmente estes discos, como inúmeros outros. Mesmo nas músicas mais simples, mais populares, o Zé Mário Branco era um tipo intransigente e rigoroso e de uma criatividade sem limites. Sem pudor e possuidor de uma inventiva que lhe nascia dos dedos, ele ia buscar aos folclores ou à música erudita, ao rock como ao Jazz, a sua inspiração, tornando muitas vezes um simples arranjo como a única possibilidade, de uma forma tão natural que parecia ter nascido assim.
Em tudo o que alguma vez tocou ele deixou a sua marca. Não tenho dúvidas que, sem o Zé Mário Branco, a música portuguesa teria sido outra coisa.
Se tivesse de escolher três músicas, quatro, do Zé Mário, eu diria, por razões diferentes, o «Eh! Companheiro» (letra do Sérgio Godinho, a solidariedade), o «Inquietação» (o seu espírito inquieto), o «FMI» (cáustico, catártico), e o «Queixa das almas jovens censuradas» de Natália Correia, dramático e lindo, eterno.
Numa semana em que já tinha desaparecido outro Homem que eu admirava, eu fiquei triste.
Adeus, companheiro. Até sempre.

 

O Manuel Jorge Veloso é daquelas pessoas que marcam e ele marcou indelevelmente o Jazz português.

Para muitos ele terá mesmo protagonizado o primeiro contacto com o Jazz, nos anos 60, nos programas da RTP. Tendo tido formação clássica na juventude, Manuel Jorge Veloso elegeu o Jazz como a sua música, com a paixão que o caracterizava.

Militante de causas, íntegro, do antes quebrar que torcer, Manuel Jorge Veloso, dedicava-se às suas bandeiras com entusiasmo e abnegação. Na política, como na sociedade, na cultura ou na música, o Manuel sabia o que queria, intervinha, questionava, afirmava.

Homem culto, os seus conhecimentos musicais eram profundos, e ele seria, de entre os que escreveram e pensaram sobre Jazz, o mais pertinente, o mais incisivo, o mais informado e, como disse, o mais entusiasmado. E diria também que, entre os que em Portugal alguma vez escreveram sobre Jazz, o que escrevia melhor.

Ao longo da sua vida Manuel Jorge Veloso teve uma vasta intervenção na música, em diversas áreas, no Jazz, na música clássica e erudita e música popular. O Jazz foi no entanto a sua música de eleição desde sempre.

No Jazz e na televisão (RTP1) ele produziu e apresentou programas de jazz Jazz no Estúdio A e TV Jazz. Na rádio, ele fez diversos programas de Jazz na Rádio Renascença, Rádio Clube Português e Antena 2, o último dos quais, na Antena 2, Um Toque de Jazz. Na imprensa escrita a sua presença é também vasta, tendo-se notado pela tradução, crítica, divulgação e ensaio, no Diário de Notícias, Capital, Independente, O papel do Jazz, Revista da Música, All Jazz e inúmeros outros. Enfim, ele foi pioneiro também na internet em Portugal, como blogger, com O Sítio do Jazz, e colaborou em diversos sites, nomeadamente no Jazz 6/4.

Como músico, também. Ele foi notado como o baterista que acompanhou Dexter Gordon em 1971, no 1º Festival de Jazz de Cascais, ou o baterista que aparece no singular Belarmino de Fernando Lopes, mas ele compôs também a banda sonora desse filme e de Uma Abelha na Chuva, também de Fernando Lopes e de Pedro Só de Alfredo Tropa, para além de algumas curtas-metragens.

Mas ele foi também o baterista do primeiro Quarteto de Jazz do Hot Club de Portugal, nos anos 50; e do HCP foi também director em 1962/63.

Conferências, debates, júris, conversas, aulas, a vida (jazzística) de Manuel Jorge Veloso não cabe numa página de internet.

Se o meu conhecimento do Manuel Jorge Veloso remonta aos anos 60 na televisão, eu conheceria pessoalmente o Manuel apenas nos anos 90, mas haveria de o convidar para colaborar na All Jazz em 2002, e mais tarde colectivamente no site Jazz 6/4, com António Curvelo, Paulo Barbosa, Raul Bernardo e outros.

A última actividade de Manuel Jorge Veloso ligada ao Jazz terá sido uma colaboração com António Curvelo nas Histórias de Jazz em Portugal, uma co-produção Hot Club de Portugal e Guimarães Jazz, já nesta década.

Por tudo o que aprendi contigo, pela tua energia, pela tua sinceridade, pela tua tenacidade, pelo teu amor pelo Jazz, por tudo o que deixaste,

obrigado, Manuel.

Manuel Jorge Veloso, 1937 - 2019

Quotes

… the important thing [in composing] is to have that main idea — a musical identity — and then the tools [the guys you’re writing for or the orchestra or the different instruments] help open it up to you. Without that idea, everything is just a bunch of notes and sounds.

Ohad Talmor

ANGRA JAZZ 2019

(Textos de Paulo Barbosa e Leonel Santos)

FESTIVAL DE JAZZ ROBALO 2019

JAZZ NO PARQUE 2019

FUNCHAL JAZZ 2019

VALADO JAZZ 2019

FESTA DO JAZZ 2019

EUROPEAN JAZZ CONFERENCE 2018

 

Edição comemorativa dos 70 anos do Hot Clube de Portugal
Inês Cunha - Directora
António Curvelo - Editor

Jazz Posters de João Fonseca

 

Conferência «As Mulheres e o Jazz», 7 de Dezembro 2018, ISCTE, Lisboa, Leonel Santos

Integrada na Conferência Internacional
«Mulheres, Mundos do Trabalho e Cidadania – Diferentes Olhares, Outras Perspetivas»,
ISCTE 6 e 7 de Dezembro 2018

 

As mulheres e o Jazz

 

 

O gato escarninho

 

 

O Jazz nos livros em Portugal

8. Jazz Moderno

                 
 

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