JazzLogical 20 Novembro 2019

 

Esta semana

continua o 5º Festival Jazz da Marinha Grande com Eduardo Cardinho a apresentar o CD , «In Search of Light» de 2019; Nelson Cascais que toca «Men-tor», a música de Jorge Reis; e ainda o Maria João Ogre Trio a encerrar o festival. De 21 a 23, quinta a sábado.
Também de quinta a sábado, no Hot Club, decorre a «Mostra de Jazz de Espanha 2019», com Perico Sambeat, MAP, Jose Carra Trio e Javier Alcántara.
Ainda, já hoje, no também no Hot Club, tocam André Santos, Francisco Brito e Marco Franco;
amanhã Leonor Arnault e João Carreiro canta e toca no Café Dias (Lisboa);
Na sexta Elas e o Jazz vão a S. João da Madeira ao Festival Novembro Jazz
e Manuel Linhares apresenta «Boundaries» no Cascais Jazz Club;
O mesmo Manuel Linhares canta no Café Lapo, em Lisboa (Calhariz) no sábado
e no sábado ainda os Mano a Mano (André e Bruno) tocam no Ciclo de Guitarras de Mafra;
no Porta Jazz (Porto), Marc Miralta é o responsável pela Residencial Porta-Jazz 14.

Qua 20:
Santos/ Franco/ Brito, Hot Club

Qui 21:
Eduardo Cardinho «In Search of Light», Festival Jazz da Marinha Grande
Leonor Arnault, João Carreiro, Café Dias, Lisboa (19.00)
MAP, Hot Club «Mostra de Jazz de Espanha 2019»

Sex 22:
Nelson Cascais «Men-tor», a música de Jorge Reis, Festival Jazz da Marinha Grande
Manuel Linhares «Boundaries», Cascais Jazz Club
Elas e o Jazz, Festival Novembro Jazz, S. João da Madeira
Perico Sambeat Group, Hot Club «Mostra de Jazz de Espanha 2019»

Sáb 23:
Mano a Mano, Ciclo de Guitarras de Mafra
Maria João Ogre Trio, 5º Festival Jazz da Marinha Grande
Marc Miralta
(Residencial Porta-Jazz 14), Porta-Jazz (19.00 e 22.00)
Manuel Linhares «Boundaries», Lapo, Lisboa
Jose Carra Trio e Javier Alcántara, Hot Club «Mostra de Jazz de Espanha 2019»

Na próxima semana,
excepcionalmente, o Hot Club abre as portas na segunda feira para o concerto de Mark Turner/ Ethan Iverson que apresentam o CD «Temporary Kings», editado na ECM já em 2019.

5º Festival Jazz da Marinha Grande,

. Julian Arguelles e Mário Laginha, sexta 15;
. e Lokomotiv, sábado 16.
. Eduardo Cardinho «In Search of Light», quinta 21;
. Nelson Cascais, «Men-tor», a música de Jorge Reis, sexta 22;
. Maria João Ogre Trio, sábado 23.
Sempre no Teatro Stephens.

 

 





 

 
 

Era para ter escrito ontem, mas não fui capaz. Há dias assim: a morte do Zé Mário Branco deixou-me consternado.
Cresci com as músicas do Zé Mário Branco e se ele não era o meu escritor de canções preferido (era o Zeca), há algumas músicas que a minha geração cantava e eu sabia-as de cor também. Mas principalmente eu soube desde a juventude que ele era o genial autor de muitos dos arranjos das canções do Zeca, do Sérgio Godinho e tantos outros.
Ao longo dos anos fui apreciando o homem. Ele era um tipo bom. Directo, de coluna vertebral erecta, inquieto (inquietação, inquietação…) e ele nunca claudicou nas suas convicções, na sua solidariedade, na sua ideia de uma sociedade sem muros nem barreiras.
Íntegro, generoso, culto e simples, era o Zé Mário Branco.
Como músico, eu apreciei-lhe muito em especial o génio que colocava nas orquestrações, nos recursos infindáveis, no olhar para o detalhe. Pegue-se no «Cantigas do Maio» do Zeca (para mim o mais importante disco de música portuguesa de sempre, antes e depois, de todos os géneros) ou o «Venham mais cinco» ou… e perceba-se como ele era genial. O Zeca foi o escritor de canções eternas (... um de inúmeros outros méritos), e tinha a música na cabeça, mas o dedo de Zé Mário Branco marcou indelevelmente estes discos, como inúmeros outros. Mesmo nas músicas mais simples, mais populares, o Zé Mário Branco era um tipo intransigente e rigoroso e de uma criatividade sem limites. Sem pudor e possuidor de uma inventiva que lhe nascia dos dedos, ele ia buscar aos folclores ou à música erudita, ao rock como ao Jazz, a sua inspiração, tornando muitas vezes um simples arranjo como a única possibilidade, de uma forma tão natural que parecia ter nascido assim.
Em tudo o que alguma vez tocou ele deixou a sua marca. Não tenho dúvidas que, sem o Zé Mário Branco, a música portuguesa teria sido outra coisa.
Se tivesse de escolher três músicas, quatro, do Zé Mário, eu diria, por razões diferentes, o «Eh! Companheiro» (letra do Sérgio Godinho, a solidariedade), o «Inquietação» (o seu espírito inquieto), o «FMI» (cáustico, catártico), e o «Queixa das almas jovens censuradas» de Natália Correia, dramático e lindo, eterno.
Numa semana em que já tinha desaparecido outro Homem que eu admirava, eu fiquei triste.
Adeus, companheiro. Até sempre.

 

O Manuel Jorge Veloso é daquelas pessoas que marcam e ele marcou indelevelmente o Jazz português.

Para muitos ele terá mesmo protagonizado o primeiro contacto com o Jazz, nos anos 60, nos programas da RTP. Tendo tido formação clássica na juventude, Manuel Jorge Veloso elegeu o Jazz como a sua música, com a paixão que o caracterizava.

Militante de causas, íntegro, do antes quebrar que torcer, Manuel Jorge Veloso, dedicava-se às suas bandeiras com entusiasmo e abnegação. Na política, como na sociedade, na cultura ou na música, o Manuel sabia o que queria, intervinha, questionava, afirmava.

Homem culto, os seus conhecimentos musicais eram profundos, e ele seria, de entre os que escreveram e pensaram sobre Jazz, o mais pertinente, o mais incisivo, o mais informado e, como disse, o mais entusiasmado. E diria também que, entre os que em Portugal alguma vez escreveram sobre Jazz, o que escrevia melhor.

Ao longo da sua vida Manuel Jorge Veloso teve uma vasta intervenção na música, em diversas áreas, no Jazz, na música clássica e erudita e música popular. O Jazz foi no entanto a sua música de eleição desde sempre.

No Jazz e na televisão (RTP1) ele produziu e apresentou programas de jazz Jazz no Estúdio A e TV Jazz. Na rádio, ele fez diversos programas de Jazz na Rádio Renascença, Rádio Clube Português e Antena 2, o último dos quais, na Antena 2, Um Toque de Jazz. Na imprensa escrita a sua presença é também vasta, tendo-se notado pela tradução, crítica, divulgação e ensaio, no Diário de Notícias, Capital, Independente, O papel do Jazz, Revista da Música, All Jazz e inúmeros outros. Enfim, ele foi pioneiro também na internet em Portugal, como blogger, com O Sítio do Jazz, e colaborou em diversos sites, nomeadamente no Jazz 6/4.

Como músico, também. Ele foi notado como o baterista que acompanhou Dexter Gordon em 1971, no 1º Festival de Jazz de Cascais, ou o baterista que aparece no singular Belarmino de Fernando Lopes, mas ele compôs também a banda sonora desse filme e de Uma Abelha na Chuva, também de Fernando Lopes e de Pedro Só de Alfredo Tropa, para além de algumas curtas-metragens.

Mas ele foi também o baterista do primeiro Quarteto de Jazz do Hot Club de Portugal, nos anos 50; e do HCP foi também director em 1962/63.

Conferências, debates, júris, conversas, aulas, a vida (jazzística) de Manuel Jorge Veloso não cabe numa página de internet.

Se o meu conhecimento do Manuel Jorge Veloso remonta aos anos 60 na televisão, eu conheceria pessoalmente o Manuel apenas nos anos 90, mas haveria de o convidar para colaborar na All Jazz em 2002, e mais tarde colectivamente no site Jazz 6/4, com António Curvelo, Paulo Barbosa, Raul Bernardo e outros.

A última actividade de Manuel Jorge Veloso ligada ao Jazz terá sido uma colaboração com António Curvelo nas Histórias de Jazz em Portugal, uma co-produção Hot Club de Portugal e Guimarães Jazz, já nesta década.

Por tudo o que aprendi contigo, pela tua energia, pela tua sinceridade, pela tua tenacidade, pelo teu amor pelo Jazz, por tudo o que deixaste,

obrigado, Manuel.

Manuel Jorge Veloso, 1937 - 2019

Quotes

A lot of times our original compositions have a harmonic approach and rigorous clarity that is far more a part of rock tradition than playing jazz standards.

Ethan Iverson

ANGRA JAZZ 2019

(Textos de Paulo Barbosa e Leonel Santos)

FESTIVAL DE JAZZ ROBALO 2019

JAZZ NO PARQUE 2019

FUNCHAL JAZZ 2019

VALADO JAZZ 2019

FESTA DO JAZZ 2019

EUROPEAN JAZZ CONFERENCE 2018

Zona Groovy, 26 Junho, TSF, ou online aqui.

Em 26 de Junho, 24.00 (ou 27 Junho, 00.00) novidades internacionais de 2019
Mário Dias à conversa com Leonel Santos

Alinhamento:

1. Dustin Laurenzi – «Remember», CD Snaketime, The Music of Moondog, Astral Spirits 2019

2. Human Feel – «Eon Hit», CD Gold Intakt Records 2019

3. Joey Baron – Bye Ya, CD Mixmonk – Universal Belgium 2019

4. Larry Fuller – «Mona Lisa», CD Overjoyed, Capri Records 2019

5. Matt Brewer – «Rj», CD Ganymede,  Criss Cross 2019

6- Patricia Barber – «The Albatross» , CD Higher, ArtistShare 2019

7. Russ Lossing - Epistrophy, CD Changes, SteepleChase 2019

8. Tom Harrell – Blue CD Infinity, HighNote 2019    

9. Wynton Marsalis – «Dinah» CD Bolden, Blue Engine Records 2019

10. Yonathan Avishai – «Lya», CD Joys and Solitudes, ECM 2019

 

   

Zona Groovy, 5 Junho, TSF, ou online aqui.

Em 5 de Junho, 24.00 (ou 6 Junho, 00.00) novidades internacionais de 2019
Mário Dias à conversa com Leonel Santos

Alinhamento:

1. Dave Douglas - «Rose and Thorn», CD Devotian, 2019
2. Bill Frisell - «Epistrophy», CD Epistrophy, 2019
3. Brad Mehldau - «The Prophet is a Fool», CD Finding Gabriel, 2019
4. Iro Haarla – «Ida Lupino», CD Around Again Carla Bley, 2019
5. Quinsin Nachoff Flux – «Path of Totality», CD Path of Totality, 2019
6. Jamie Saft – «Moonlight in Vermont», CD You Don’t Know The Life 2019
7. Nick Sanders – «Live Normal», CD Playtime 2050, 2019  
8. Allison Miller – «Welcome Hotel», CD Glitter Wolf, 2019


     

Melhor CD 2018 Internacional (novidade)
Wayne Shorter – Emanon, Blue Note

Melhores CD 2018 Nacional
Ricardo Toscano Quarteto - Ricardo Toscano Quarteto, Clean Feed

Melhor CD 2018 Internacional (reedição/ histórico)
John Coltrane - Both Directions at Once: The Lost Album, Impulse!

Melhores CD 2018 NÃO Jazz
Frank Zappa - Frank Zappa’s Legendary 1973 "The Roxy Performances", Zappa Records
Laurie Anderson & Kronos Quartet – Landfall, Nonesuch

Músico do Ano 2018 Internacional
Wayne Shorter

Músico do Ano 2018 Internacional Revelação
Julian Lage

Músico do Ano 2018 Nacional
Ricardo Toscano

Músico do Ano 2018 Nacional Revelação
Tomás Marques

Acontecimento Internacional 2018
O lançamento de "Both Directions At Once: The Lost Album", com jóias perdidas de Coltrane

Acontecimento Nacional 2018
A realização da European Jazz Conference em Lisboa

TODA A VOTAÇÃO AQUI

 

   
 

Edição comemorativa dos 70 anos do Hot Clube de Portugal
Inês Cunha - Directora
António Curvelo - Editor

Jazz Posters de João Fonseca

 

Conferência «As Mulheres e o Jazz», 7 de Dezembro 2018, ISCTE, Lisboa, Leonel Santos

Integrada na Conferência Internacional
«Mulheres, Mundos do Trabalho e Cidadania – Diferentes Olhares, Outras Perspetivas»,
ISCTE 6 e 7 de Dezembro 2018

 

As mulheres e o Jazz

 

 

O gato escarninho

 

 

O Jazz nos livros em Portugal

8. Jazz Moderno

                 
 

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